O número de incêndios nos 10 primeiros dias de 2017 está menor comparado ao mesmo período em 2016 no Brasil. Até a terça-feira (10), o INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais) registrou um total de 1.188 queimadas em todo o país, 37% a menos que no ano passado, quando o número de focos chegou a 1.890. Apesar disto, alguns Estados tiveram um aumento na quantidade de queimadas registradas.
Número de queimadas diminui no Brasil, mas cresce em alguns Estados/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia
O maior número dos incêndios parte do Mato Grosso. Foram 270 pontos de fumaça avistados entre 1º e 10 de janeiro, um crescimento de 71% em vista dos 157 registrados no mesmo período em 2016. Segundo a meteorologista Fabiene Casamento, da Somar Meteorologia, um dos motivos pode estar ligado ao fato de que neste ano, a umidade do solo está mais baixa. “Tem chovido na região, mas de forma muito isolada. Além disso, o calor faz com que a umidade do solo evapore mais rapidamente, ficando mais suscetível às queimadas”.
Outro fator que pode ter contribuído para este aumento, são as descargas elétricas. “Em dias muito secos, a atmosfera tem uma diferença de carga elétrica, o que pode gerar raios, mesmo sem nuvens de tempestades. A troca de energia, é parecida com a que temos em dias muito quentes, quando tocamos em algo de metal e levamos um choque, mas na atmosfera, isto pode provocar um incêndio”, explica a meteorologista Olívia Nunes.
Risco aumenta no Nordeste
De acordo com o mapa de monitoramento por satélite disponibilizado pela INPE, a região que mais apresenta riscos de queimadas até o final desta semana, é o Nordeste. Os incêndios atingem principalmente o interior da região, que tem passado por uma seca excepcional, considerada a maior dos últimos 100 anos. O déficit hídrico já perdura por cinco anos e mesmo com eventuais pancadas de chuva, o solo não consegue se recuperar.
Mudança de cenário
Apesar do risco apresentado no mapa, a chuva deve voltar para aliviar o tempo seco no interior nordestino até a próxima semana. De acordo com a previsão da Somar, as cidades localizadas no centro-sul do Maranhão e do Piauí devem receber até 200mm de chuva até a próxima quinta-feira (19). “Depois a chuva perde força e só deve voltar em fevereiro, mas deve ser suficiente para aliviar o solo, mesmo que por um curto período nas áreas do MATOPIBA (região que compreende parte do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)”, finaliza Fabiene.
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